Em 1999, Alexandre Cunha chegou aos Estados Unidos sem falar inglês. Trazia consigo sonhos, expectativas e a vontade de construir uma vida melhor. Mas, logo nos primeiros dias, descobriu que existia uma barreira que tornaria sua jornada muito mais difícil do que imaginava: a língua.
Sem conseguir se comunicar, enfrentou desafios, exploração e humilhações, inclusive por parte de pessoas de sua própria nacionalidade. A dificuldade de compreender o idioma limitava sua autonomia e o colocava em situações nas quais precisava confiar nos outros para entender o que acontecia ao seu redor.
Naquele momento, aprender inglês não era apenas uma questão de crescimento profissional. Era uma necessidade para conquistar independência, dignidade e novas oportunidades.
Foi então que recebeu um conselho: trabalhar em um restaurante. Ali, teria contato constante com o idioma, ouviria as pessoas conversando e poderia começar a compreender, aos poucos, a língua que tanto precisava aprender.
Alexandre teve a oportunidade de ingressar em uma rede de restaurantes. Começou como busboy, profissional responsável por limpar e organizar as mesas após o atendimento dos garçons.
Mas foi justamente nesse ambiente que um dos momentos mais marcantes de sua vida aconteceu.
O dia em que alguém enxergou seu potencial
Depois de apenas 15 dias trabalhando como busboy, Alexandre foi chamado pelo gerente de cozinha, que lhe apresentou uma nova oportunidade. Ele deveria se transferir para outro restaurante da mesma companhia, mas dessa vez o desafio seria muito maior: trabalhar na cozinha.
A conversa aconteceu com a ajuda de um espanhol que atuava como garçom e foi seu tradutor naquela ocasião. Alexandre ainda tinha dificuldades até mesmo para compreender o espanhol, mas conseguiu entender a mensagem que mudaria o rumo de sua trajetória.
O gerente lhe disse que ele não havia nascido para ficar limpando mesas. Enxergava potencial nele e acreditava que deveria estar na cozinha.
Alexandre ficou feliz. Alguém estava reconhecendo sua dedicação, seu esforço! Algo que talvez nem ele próprio soubesse como demonstrar naquele momento.
Mas logo surgiu uma preocupação.
Ele perguntou se havia algum brasileiro naquele restaurante que pudesse ajudá-lo. Na verdade, o que desejava era alguém que pudesse ser sua voz, alguém que o ajudasse a se comunicar enquanto ainda não dominava o inglês.
A resposta veio com uma clareza que Alexandre jamais esqueceu:
— Sim, tem você.
Alexandre ficou espantado. Como poderia trabalhar na cozinha e assumir novas responsabilidades se não conseguia se comunicar?
O gerente, porém, demonstrou confiança em sua capacidade. Acreditava que ele conseguiria dar conta do desafio mesmo sem falar o idioma.
Aquela oportunidade não eliminou suas dificuldades. Pelo contrário: abriu as portas para uma nova sequência de desafios. Mas também lhe deu a chance de descobrir do que era capaz. Deram um apelido para ele: HI e BYE, as únicas palavras que ele dominava.
Uma nova língua, uma nova vida
Foi ali que começou uma das maiores jornadas de transformação de sua vida.
Alexandre precisou aprender a ouvir, observar, interpretar situações, associar palavras ao que acontecia ao seu redor e encontrar maneiras de se comunicar. Cada dia trazia uma dificuldade diferente. Cada situação exigia coragem, iniciativa e disposição para continuar.
Ele não aprendeu inglês de uma hora para outra. Aprendeu enfrentando a realidade, errando, tentando novamente e superando obstáculos que muitas vezes pareciam maiores do que sua capacidade naquele momento.
Em menos de um ano, tornou-se assistente de chefe de cozinha. Pouco tempo depois, passou a participar da abertura do restaurante. Em aproximadamente dois anos, já era reconhecido por sua atuação profissional e, em 2003, iniciou uma trajetória marcante em olimpíadas de culinária, das quais participou por três vezes consecutivas.
Aquele brasileiro que havia chegado aos Estados Unidos sem conseguir se comunicar estava construindo uma carreira que jamais poderia ter imaginado.
Mas uma das lições mais importantes dessa história não veio de uma competição culinária nem de uma promoção profissional.
Veio de uma conversa.
O conselho que mudou sua maneira de enxergar o futuro
Durante aquela fase, o espanhol que o ajudava como tradutor percebeu algo que ia além do trabalho: Alexandre era dedicado, esforçado e estava sempre disposto a fazer o melhor possível.
Também percebeu que alguns garçons não lhe repassavam as gorjetas corretamente e que outros sequer lhe pagavam, aproveitando-se de sua dificuldade com o idioma.
Certo dia, o espanhol chamou Alexandre para conversar em particular.
Com preocupação genuína, explicou que, se quisesse avançar e crescer nos Estados Unidos, precisaria aprender a falar inglês.
Aquele conselho foi muito mais do que uma orientação profissional. Foi um alerta sobre a importância de conquistar autonomia em um ambiente no qual a comunicação fazia diferença nas relações, nas oportunidades e na capacidade de defender os próprios interesses.
Alexandre compreendeu que o inglês não seria apenas uma ferramenta para executar tarefas. Seria uma chave para ampliar suas possibilidades e construir o futuro que desejava.
E foi exatamente isso que aconteceu.
Do restaurante ao empreendedorismo
Ao longo dos anos, Alexandre ampliou suas conquistas profissionais. Além de sua trajetória na gastronomia, tornou-se empresário nos Estados Unidos, construindo negócios nas áreas de paisagismo (landscape), construção e limpeza.
Suas empresas atenderam clientes comerciais e residenciais, incluindo redes e organizações como Applebee's, Bertucci's e Walmart.
Seus clientes eram americanos, e a comunicação em inglês fazia parte do cotidiano de suas atividades empresariais. Era necessário negociar, compreender demandas, resolver problemas, construir relacionamentos e conduzir negócios.
O idioma que um dia havia representado uma barreira passou a ser uma ferramenta fundamental para sua independência e seu crescimento.
O inglês abriu portas que, no início de sua jornada, pareciam distantes.
E foi a partir dessa experiência que uma reflexão começou a ganhar força dentro dele: quantas oportunidades uma pessoa pode deixar de alcançar simplesmente porque não consegue se comunicar?
E, olhando para as crianças, outra pergunta surgiu: e se elas pudessem começar essa jornada de maneira mais natural, desde cedo, com estímulos adequados, experiências significativas e apoio durante o aprendizado?
O nascimento de um propósito: a ideia
Em 2022, Alexandre começou a colocar no papel as primeiras ideias que dariam origem ao English Buddie.
Não se tratava apenas de criar mais um aplicativo para ensinar inglês. Sua intenção era construir algo que conectasse aprendizagem, desenvolvimento infantil, tecnologia e participação familiar.
Ele conhecia, pela própria experiência, o impacto que o idioma poderia ter na vida de uma pessoa. Sabia o que significava enfrentar dificuldades por não conseguir compreender o que acontecia ao seu redor. Também sabia o valor de encontrar oportunidades e pessoas que acreditassem em seu potencial.
A partir dessa história, começou a desenvolver uma visão: criar uma plataforma que ajudasse crianças a construir uma relação positiva com o inglês, respeitando a infância e proporcionando experiências de aprendizagem lúdicas, progressivas e interativas.
Mas Alexandre compreendeu que um projeto dessa dimensão não poderia ser construído sozinho.
Era necessário formar um ecossistema de profissionais capacitados, com conhecimentos complementares e compromisso com a qualidade. Um projeto que envolve crianças exige responsabilidade, planejamento e uma base pedagógica consistente.
Por isso, o English Buddie passou a ser estruturado com a participação de profissionais da área educacional e de outras áreas relacionadas ao desenvolvimento infantil, reunindo conhecimentos e competências para construir uma experiência que vá além da exposição ao idioma.
A visão é que cada elemento da plataforma tenha um propósito: os vídeos, os movimentos do mascote Buddie, os sons, as imagens, os jogos, as atividades interativas e a participação dos responsáveis devem contribuir para uma experiência coerente com os objetivos educacionais do projeto.
Muito além de ensinar inglês
A história de Alexandre ajuda a explicar por que o English Buddie existe.
Ele sabe o que é chegar a um país sem dominar o idioma. Sabe o que é depender da ajuda de outras pessoas para se comunicar. Sabe o que é enfrentar dificuldades, encontrar oportunidades e descobrir que uma habilidade pode transformar caminhos.
Mas o propósito do English Buddie não é fazer com que todas as crianças vivam a mesma trajetória. É oferecer a elas a oportunidade de começar a aprender em um ambiente pensado para sua etapa de desenvolvimento, com experiências lúdicas, recursos interativos e participação da família.
O inglês é o ponto de partida. O desenvolvimento infantil é a visão que orienta o projeto.
Queremos que as famílias tenham um papel ativo nessa jornada e que a tecnologia seja utilizada com intenção pedagógica, responsabilidade e respeito às necessidades das crianças.
Porque aprender um idioma abre portas. E crescer com apoio, oportunidades e estímulos adequados pode ampliar ainda mais os caminhos que uma criança poderá construir ao longo da vida.
O English Buddie nasceu de uma experiência real de superação e está sendo construído com uma visão de futuro: tornar a aprendizagem mais acessível, significativa e conectada ao desenvolvimento infantil.
English Buddie: o inglês é a porta de entrada. O desenvolvimento do seu filho é a nossa visão.
